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domingo, 19 de junho de 2011

Farim

Já me encontro em Bissau desde do dia 30 de Maio. Foi um regresso tranquilo e acolhedor, voltar a este calor e a esta terra vermelha que é a Guiné.

Este Sábado fui até Farim. Desta vez tenho informações mais precisas de Farim, e posso dizer que estive lá. Não foi um Farim à vista, mas sim um Farim presente e bonito. Foram 112 quilómetros de estrada, 60 até Mansoa em estrada muito boa, e 52 até Farim em estrada bem má. O problema da estrada não foram propriamente os buracos, quer dizer, pensando bem até foram. Existe algum alcatrão no caminho e no meio desse alcatrão formaram-se os ditos buracos. Resultado, foram 52 km de buracos e ir sempre devagar. Foi um dia bonito e algo quente, muito quente...
Mas devagar lá chegámos à terra onde morreu Titina Silá, considerada pelos guineenses, como sendo uma heroína da guerra da Libertação.
Assim que chegámos tivemos de atravessar o rio Cacheu. Decidimos ir de piroga, neste caso pirogas grandes e que chegavam a transportar umas vinte pessoas. Sentadas lado a lado em várias travessas numeradas. Fomos na piroga mais colorida e a viagem custou 150 CFA por pessoa.

Aqui vai ela após ter largado os passageiros.
 É claro que também existe uma jangada a motor e que se chama "Titina Silá".


Assim que chegámos a Farim, encontrámos um espaço bonito e acolhedor junto ao rio. Um espaço que deve ser bastante calmo e tranquilo num final de tarde. Também estáva lá um pequeno monumento à heroina da Guiné-Bissau.



Uns passos mais à frente e vem o tal espaço que referi anteriormente. Até piscina o espaço tinha, tinha quer dizer, ela está lá mas está vazia. O espaço também tem umas formas geométricas muito engraçadas a separar os vários jardins. Algo que não encontrei em mais nenhum lado na Guiné. Será que as pessoas de Farim são geómetras? Isso não sei, mas sei que encontrei algo muito curioso que pousou para a foto. E que postura não tinha. Toda emproada e altiva. Cabeça bem levantada para ver o que se passava. Se calhar estava a montar guarda ao espaço. Vejam e depois digam a vossa opinião.



Aqui está a nossa personagem.

Contemplem a geometria

Como puderam reparar, no meio do espaço existe um monumento. Tem a forma que faz recordar uma vela ao qual eu tirei uma fotos mais aproximadas e consegue-se ver os instrumentos de navegação na sua perfeição.



É claro que com tanto calor à que aproveitar um local à sombra e à beira rio...
Saindo do rio lá fomos dar uma volta pela cidade. Ainda se vê os fios de electricidade nos postes. A electricidade essa existiu até Setembro do ano transacto. Passámos pelo hospital, pelo liceu, pelo antigo quartel militar português. Até andámos pela Avenida Viana do Castelo.

Parte do quartel miltitar.

Mais algumas instalações do antigo quartel militar português de Farim.


Avenida Viana do Castelo
É claro que não podia deixar de ter uma igreja com o respectivo campanário...



E como a hora do almoço já tinha chegado lá fomos nós à procura da carne de cabra, pois tá claro. E até estava saborosa.

Ainda se pode ver a cabeça no chão...


Lá está ela a assar no lume...

Claro que como estamos na Guiné, tem se existir uma acácia rubra para dar uma outra cor, são sempre fantásticas estas árvores.
 
Esqueçam o que está à volta e olhem só para a árvore com flores. É fantástica...
Ainda passeando mais um pouco encontrei mais um ser vegetal que achei curioso. Uma vez mais, peço ajuda aos biólogos que caracterizem-na e que me informem do que se trata. Eu penso que é uma espécie de cacto, mas não posso afirmar nada mais.
 
 
E depois de visitar mais um lugar regressámos a Bissau, ou seja mais 52 km de estrada em mau estado. Mas valeu a pena e ainda por cima pelo caminho comprei mangas e fole. Estavam uma maravilha as mangas e o fole deu um doce fantásticoooooooo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Quase a ida a Farim

No sábado passado eu e um grupo de amigos decidimos ir até Farim. Quer dizer, reconhecer o caminho até Farim pois tinham-me dito que o sítio onde era para deixar as viaturas não era o melhor. Saímos de Bissau, todos contentes e fomos andando sempre nas calmas. O primeiro destino era Mansoa, que tinha alguma curiosidade em ver e conhecer.
Chegámos a Mansoa e fomos ao mercado. No mercado era rico em produtos agrícolas mas pobre em peixe, mas como não podia deixar de ser, tinha bagre defumado. Esse marca sempre a sua presença, mais que não seja devido ao seu estado de conservação. Em Mansoa depois do mercado vi uma cabra esfolada pendurada à porta de um estabelecimento. Perguntei aos meus colegas se não queriam comer cabra. Fomos negociar o preço do pedaço que queriamos comprar. Acertámos o preço em 2000 CFA, e o senhor começou a preparar a carne de cabra. Cortou-a aos pedaços e reacendeu o fogareiro.
Aproveitei e fui dar uma vista de olhos pela cidade. É uma cidade engraçadita, quente, mas simpática. Dei uma volta turistica e rápida onde estavam presentes velhos monumentos da época colonial, inclusivé uma central eléctrica de 1952. Quando regressei a carne estava assada. Tudo para dentro de um saco plástico, para mais tarde fazer um piquenique e voltamos ao caminho. Desta vez em direcção a Farim.
Pelo que sei existem dois caminhos para chegar a Farim. Um vai desde Bissau a São Domingos e depois para Farim, o outro é de Bissau, Mansoa e depois atravessa-se o rio de piroga para chegar a Farim. O caminho por São Domingos foi-me desaconselhado por causa da proximidade com a fronteira com o Senegal e os rebeldes de Casamança. Parece que os rebeldes de vez em quando entram em território guineense e fazem das suas, além disso o caminho por Mansoa é bem mais perto.
Quando nos fizemos ao caminho novamente tudo na maior, afinal acho que eram só 30 ou 40 quilómetros até ao destino. O pior foi a condição da estrada, tinha um pouco de alcatrão no meio dos buracos, resultado perto de hora e meia para fazer o percurso.
Pelo caminho vimos paisagens novas e diferentes e inclusíve animais novos. Vimos uma família de macacos a atravessar a estrada e uma deles, depreendo que fosse uma macaca, levava um filhote na barriga, pois vi duas caudas a abanarem. Uma cauda era grande e a outra mais pequenita. Um bocado mais à frente vimos uma prática que parece comum naquelas zonas, vimos várias queimadas a serem feitas sem ninguém a vigiar.


Aqui está uma queimada sem eira nem beira.
Continuámos nós rumo a Farim. Buraco sim, buraco sim com uma margem de manobra para outro buraco e o caminho foi continuando devagar, devagarinho. Passado quase duas horas lá chegámos nós ao nosso destino. O lado sul da margem do rio Cacheu e com Farim à vista.

Farim à vista.

No meio disto tudo quase a alcançar Farim. Mas devido às horas a que chegámos ao nosso destino, por volta das 15 horas, não atravessámos para o outro lado. Pois depois teríamos de efectuar o caminho de volta durante a noite e andar por estes lados de noite não é muito aconselhável.
No retorno a Bissau e debaixo de 40 graus celsius, parámos para comer. Lá foi um piquenique à maneira. Carne de cabra de Mansoa, atum, pão de Safim e de Mansoa, água de Portugal e um belo queijo curado dos Montes Hermínios. Foi um festim, mas sempre com os olhos numa queimada que se aproximava, mais e mais.
Foi assim que fomos e voltámos e sem ir a Farim, mais um bocado da Guiné que ficou comigo, mas também mais um bocado de mim que ficou imcompleta por não ter ido a Farim, e uma promessa de voltar e desta vez ir a Farim.