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domingo, 16 de janeiro de 2011

Pela Guiné Fora

Logo nos primeiros post's falei que tinha uma CBF 125, mas no entanto nunca a mostrei em passeios. Aqui vai umas fotos de algumas vezes que saí com ela. Ter moto na Guiné Bissau é muito bom, não existe o frio, mas também muito perigoso, mas mesmo muito. Desde que trouxe o meu cavalo de duas rodas para cá já fiz alguns raid's por esta terra maravilhosa. O mais importante nessas saídas é que o meu cavalo nunca me falhou, nem uma vez. Já fui atacado algumas vezes pela força aérea, passo a citar mosquinos, moscas, moscardos e afins, mas o resultado para eles foi uma mancha na minha viseira. O meu cavalo não atinge grandes velocidades, 110 km/h máximo, mas consome pouco e tanto atinge essa velocidade com uma ou duas pessoas. 


Onde irá acabar esta estrada? Aqui está uma pergunta que eu coloco. Eu sei onde acaba, pois já lá fui várias vezes e quero ver se lá vou mais algumas. A estrada acaba exactamente em Cacheu. Da primeira vez que fui a Cacheu, gostei muito da cidade, e cada vez que lá vou continuo a gostar ainda mais dela. Esta ponte é uma ponte singular na Guiné, pelo menos eu nunca vi mais nenhuma mas não quer dizer que não exista. É uma ponte toda ela em metal.







Como podem comprovar é mesmo em Cacheu, uma vez que está o forte por trás. Quando regressava de uma das minhas viagens, existiu uma espécie de de ave, naquele caso era mesmo uma ave rara, tão rara que naquele dia deixou de existir. Estava eu a passar de moto por uma tabanca à beira da estrada, quando de repente vejo uma nuvem de penas pretas a sair disparada da roda da frente. Como podem verificar pelas fotos, as rodas da moto têm somente seis raios e existe um grande espaço entre eles. A galinha que deu origem à tal nuvem de de penas, tentou atravessar pelos espaços livres entre o eixo e o pneu. Resultado da colisão para a galinha morte. Eu penso que aquela galinha devia estar com problemas psiquicos e decidiu suicidar-se, como eu costumo dizer na brincadeira "auto matar-se". Vida de galinha não é fácil ter que andar de crista e de penas. Se nós temos casacos de penas para nos aquecer, imaginem o que é andar de penas todo o ano e sem o puder tirar deve ser uma "calorada" daquelas. Voltando ao assunto, a galinha só conseguiria atravessar a roda da moto se fosse o Speed Gonzales ou o BIP BIP, talvez mais o BIP BIP que esse já tinha penas e é mais parecido. Quando voltei para trás reparei que a bicha do conta quilómetros se tinha perdido e na Guiné para andar de moto é fundamental. Fundamental porquê? Perguntam vocês, é que por estes lados não existe bombas de gasolina em todo o sítio, logo convém ter uma noção das distâncias e da velocidade a que se vai para moderar o consumo da moto. Quando cheguei ao local do sinistro, Eram penas pela estrada, e galinha na berma da estrada. Uns rapazes perguntaram se ia levar a galinha, ao que eu respondi que não. Eles agarraram a galinha na mão e já a levavam quando a pessoa que ia comigo decidiu perguntar de quem era a galinha. Do outro lado da estrada vinha a dona da galinha, é que uma galinha ainda é uma galinha e já dá para fazer uma refeição de carne. Por aqui nada se perde. E foi assim que o meu cavalo se tornou uma verdadeira máquina de guerra com o seu baptismo de fogo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Ida a Cacheu

Na quarta feira passada fui até Cacheu. Cidade para mim umas das mais bonitas que eu conheço na Guiné-Bissau. Só o facto de ter um enorme espaço verde ao pé do antigo forte já é bonito o suficiente. No caminho, Bissau – Cacheu, encontra-se uma variedade de paisagem deslumbrante, temos uma “avenida de árvores” que proporciona uma sombra fantástica nos dia de calor intenso antes de chegar a Canchungo, antiga Teixeira Pinto. A seguir a Canchungo a paisagem muda completamente passamos a ver florestas de palmeiras principalmente palmeiras que dão o Ancol, é um fruto que mais tarde irei falar dele. Paisagens gloriosas é o que se pode encontrar por esta Guiné fora, terra de cor vermelha.
A ida a Cacheu teve um propósito, o de ir pescar, pois a última vez que estive lá, trouxe para casa uma corvina de 4,5 Kg. Indo com a mesma perspectiva desta vez, no entanto desta vez só foi mesmo com a perspectiva porque resultado nulo. Pescou-se bagre, esquilon e um peixe com um nome bastante peculiar chamado “manel caralho”.
A aparência não é a melhor, não é comestível, mas daí até ter o nome que tem é algo que dá que pensar. O que terá feito o peixe para ter tal nome? Já agora se o peixe tem esse nome como se chamaram os pais do dito cujo? Aqui estão algumas perguntas as quais vamos pensar e repensar um bocado, mas não muito.


Este é o manel.



Este é o bagre.



Em primeiro plano temos o esquilon.




Para terminar a pescaria toda, nem vos digo o isco que gastámos, camarão tigre para assar...

Cacheu foi o lugar onde os portugueses desembarcaram inicialmente. Também foi lá que foi instituída a primeira capital da Guiné. Numa visita anterior a Cacheu, tirei estas fotos do forte e do seu espaço circundante, não são as melhores, mas como não tenho nenhum curso de fotografia e nem sou grande amante, são as que são. No interior do forte existe várias estátuas da época colonial que foram desterradas para o interior das mesmas. Consegue-se ver umas peças de artilharia em bom estado de conservação, onde ainda se vê os símbolos da coroa portuguesa.










Uma das estátuas presentes no forte.











A vista exterior do forte.

O ano passado fui no meu cavalo de tróia até Cacheu. Até aqui tudo bem, no regresso matei uma galinha. Como os animais por estes lados andam à solta pela rua, galinhas, cabras, vacas, porcos, …, aquela galinha no momento exacto que ia a passar decide tentar passar pelo meio da roda da frente. Escusado será dizer que mesmo a roda tendo só seis raios, em andamento a galinha nunca conseguiria atravessá-los com resultados positivos. Assim sendo galinha morta e bicha do conta-quilómetros estragada. Assim que a galinha embateu na roda criou-se uma nuvem de penas. Quem é que disse que para caçar é preciso ter arma ou cão?  
Uma coisa posso dizer, gostei de Cacheu e hei-de voltar lá mais vezes. Digam o que disserem mas a Guiné-Bissau é terra amiga, acolhedora, de gentes simples e com paisagens fabulosas. Acho que cada dia que passo neste país um bocadinho de mim fica cá, um bocadinho de alma, de espírito, e até mesmo de suor. Além de ficar um pedaço meu por estas terras também levo uma riqueza muito grande comigo, cada dia fico a saber algo mais da cultura, dos hábitos e dos costumes. O que vale no meio disto tudo é que sou de estatura avantajada, logo por muito que dê ainda levo muito comigo. Matematicamente falando, as coisas devem ficar na mesma, deixo um bocado mas levo sempre mais qualquer coisa comigo.