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terça-feira, 10 de abril de 2012

Verão

O verão de 2011 foi um bom verão, refazendo foi um óptimo verão. Fiz uma viagem por Portugal por alguns sítios dos quais eu gosto muito. Fui a Évora, sempre emblemática, a Portalegre e à minha querida Covilhã. Foram 5 dias de viagem mas foi uma viagem maravilhosa. Foi maravilhosa por duas razões, primeiro a companhia e depois a os sítios visitados.

Foi uma viagem onde pude ver horizontes novos, algo emblemático e que também me fez despertar algumas recordações do meu tempo de estudante. Évora é uma cidade bonita por si só, e dessa cidade pouco e muito posso dizer. Algo que podemos percorrer a pé. Ver e rever os pontos de interesse ou aqueles que nos chamam mais a atenção. Algo que causa um sentimento de voltar atrás no tempo. O problema de voltar atrás no tempo são os automóveis com a sua arma mais irritante que conheço, a buzina. Vocês já imaginaram um automóvel sem buzina? Se calhar até é multado, não tenho a certeza, mas vejam o descanso que é sem ouvir aqueles sons estridentes e às vezes horripilantes. Eu compreendo o porquê das buzinas e como elas podem ser importantes. Acho que utilizei o verbo correcto "podem". Se calhar a culpa não é dos automóveis virem equipados com uma buzina, mas sim dos condutores que as utilizam. Em parte faz-me lembrar uma canção do Grabriel "O pensador". Ele tem uma música que fala das armas, onde entra um diálogo de uma bala a falar que a culpa não é dela, mas sim da pessoa que prime o gatilho. Neste caso é das pessoas que pressionam a buzina. Como eu fui criado numa aldeia, aos sábados à tarde ouvia naão uma buzina mas sim uma corneta. Era a padeira para receber o dinheiro do pão da semana. Esses sons já se foram perdendo. As voltas que este texto já deu, é assim a vida sempre às voltas. Nós às vezes parecemos uns contadores de histórias. Para responder a uma pergunta que demorava 2 minutos no máximo, damos uma volta de meia hora. Será que se pode chamar a esse contexto uma necessidade de socializar? Não vou ser a responder a esta pergunta. Continuando, vamos ver algumas fotos que fui tirando. Antes de chegar a Évora passei pelo castelo de Arraiolos, muito ao longe lá estava ele.

Castelo de Arraiolos
Como podem ver eu sou eximio a tirar fotos e com o enquadramento nem se fala. E para mostrar que existe electricidade para aqueles lados, até apanhei o fio de electricidade ou sera do telefone? Não interessa, é um fio de qualquer coisa.
Praça do Giraldo.
Claustro da Sé de Évora.
Templo de Diana
Estes foram alguns sítios que fui visitando. Depois de Évora foi a vez de parar em Portalegre. Desta vez só por algumas horas, mas com direito a guia pessoal. Foi a vez de almoçar com um amigo e colega de profissão. Foi bom ter mantido contacto e ter passado por mais uma terra alentejana. Depois disso foi a vez de chegar à Covilhã, mas com uma paregem na Barragem da Marateca. Nos meus anos de estudante passei algumas horas na barragem, não a tomar banho, mas sim a pescar. Muita carpa pesquei eu naquela barragem. Era uma delícia ver o animal a saltar para for da água depois de uma luta com o mesmo.

Uma pequena parte da barragem Marateca.
Depois foi a chegada à Covilhã, nada de fresca mas quente. Uma visita à torre, sempre obrigatória e um jantar no meio de amigos. Amigos de longa data que bom foi revelos. Parecia que estava novamente no meio da cidade. Cidade essa que eu gosto muito e me sinto bem. É daquelas cidades em que se pode sair a que horas se quiser e se consegue andar pela noite fora sem problemas. Noite barata e apetitosa, sempre bela e formosa. Mais para o verão uma temperatura amena e fabulosa para se estar na esplanada com uma loirinha na mesa ou uma ginginha sempre a acompanhar. É um sítio geográfico onde vou e sempre que posso regresso.

O alto da torre nos montes Hermínios.
Agora lembrei-me de uma canção, melhor de um fado, cantado pela Amália Rodrigues "Covilhã, Cidade de Neve". Ouvi várias vezes essa canção cantada pelas "Moçoilas" e pela "Orquesta Académica Já b'UBI e Tokuskopus". Como eram maravilhosos aqueles festivais académicos e Latada. E falando de música, depois foi o culminar de uma panóplia de música com este concerto na terra. Vejam se sabem quem é? Recebem um rebuçado directamente da Guiné-Bissau.

Grande concerto e com copos.
E foi assim mais um bocado da minha vida partilhada...

domingo, 13 de novembro de 2011

Mural em Coimbra

E depois de um ano de blog aberto e de algumas histórias pelo caminho, ainda cá estamos.
De cada vez que eu regresso a Bissau tenho que apanhar o comboio em Coimbra em direcção à Gare do Oriente. Depois é ir até ao aeroporto e entrar dentro do avião.
Antes de entrar no comboio, fico sempre a olhar para um mural que eu gosto particularmente e que agora partilho com vocês.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Partida

Hoje estou de partida. Vou a Portugal passar o mês de Agosto, para depois regressar novamente a Bissau, isto é se tudo correr bem. Vai ser bom voltar a ver amigos e caras conhecidas, ir a bailaricos de terras, e coisas afins. Eu vou de férias, mas vou dando notícias uma vez que já estão prometidas à bastante tempo delas do sul da Guiné.
Até Breve...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Recuperação em Portugal

Desde do final de Abril que ando por terras lusas. Um pequeno problema de saúde, que já está identificado, forçou-me a fazer uma viagem a Portugal que não estava programada. Agora estou a esperar de regressar novamente a Bissau, entretanto vou seguindo as indicações do médico para resolver o problema de saúde. Vou andando pela praia, uma vez que moro perto dela.

Com esta viagem a Portugal que não estava programada, pude recordar e reviver sensações que já não sentia à dois anos. Sentir o cheiro e ver as cores da primavera, cheirar o verde da erva e cheirar a terra molhada. São tudo pequenas coisas que por muito que não possamos ligar a esse facto, acabamos sempre por recordar a mesma.

Como uma das indicações do médico foi ir forçando aos poucos a articulação, tenho ido dar umas caminhadas à praia, uma vez que é um terreno que se molda ao pé e não exerce tanto impacto nas articulações e afins. Encontrei os instrumentos para efectuarem uma arte com bastantes anos. Desde que me lembro de ir à praia com a minha mãe, lembro-me de ver sempre esta arte. Os anos foram passando e alguns instrumentos foram modernizados, mas o seu essencial continua na mesma. O número de homens foram reduzidos e substituidos por um motor, os bois foram substituídos por tractores. Aqui ainda se exerce a ARTE XÁVEGA, coloco aqui algumas fotos dos instrumentos essenciais.

Aqui vê-se o barco e um reboque com as redes.



As cordas que depois servem para puxar a rede.

O saco da rede onde fica o peixe retido.
O tractor é utilizado para puxar a rede em terra.
Como associado ao mar também vem sempre o perigo, alguns destes pescadores colocam na proa do barco mais uma protecção, para que os ajude não só na viagem para largar a rede, mas também na quantidade de peixe que venha na rede.



Quando era pequeno e ia até à praia, via uma grande azáfoma à volta do barco. Vinham as juntas de bois, bois marinhos, para colocar o barco no mar, puxá-lo para terra depois da largada da rede e a posterior recolha da rede. Os barcos eram maiores e transportavam mais homens. Antigamente os barcos deslocavam-se a remos. Nas imagens em cima consegue-se ver os remos de grande envergadura.
Imaginem agora as vezes que o mesmo mar deu e continua a dar alimento as estas gentes. A quantidade de suor que escorreu pelos homens que remavam. São coisas de gente nossa.

Mas como tudo isto é feito na praia aqui fica mais umas fotos da Praia de Mira.



É assim que...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Jardim à Beira Mar Plantado - Portugal

No dia 18 de Dezembro regressei, momentaneamente, a Portugal para passar uns dias com a família. E assim foi, deixei Bissau na madrugada de 18 e regressei na madrugada de 3 de Janeiro do ano novo.
Como já tinha referido, perdi a máquina fotográfica aproveitei agora para comprar uma. Nestas duas semanas que estive em Portugal andei sempre e a visitar vários amigos, da Guiné ou de Portugal, e passei por paisagens fabulosas. O nosso querido Portugal é de uma beleza estrondosa, se calhar nós não lhe damos o devido valor. Fui desde Arruda dos Vinhos até aos Montes Hermínios, passando por Aveiro, Coimbra e Oleiros. Foram umas semanas de contar quilómetros. Mas também foram semanas de reviver tradições familiares mais importantes do que o Natal.
Posso então dizer que neste caso foram terras distantes mas tão próximas. Estando a maior parte do tempo na Guiné-Bissau será que posso considerar Portugal como uma terra distante? Não sei o que responder , mas as saudades de vez em quando vão apertando.
Vamos lá começar por Arruda dos Vinhos.
Aqui fui encontrar uma colega que conheci em Bissau. Fomos almoçar num restaurante chamado "O Fuso". Aqui ficam umas fotos da vila.





Mas voltando ao que interessa ao almoço foi uma bela de uma costoleta de vaca.


Isto é uma posta.

Para finalizar umas cerejas.

E foi assim uma boa refeição à hora do almoço com muito boa companhia. O céu estava incoberto, mas de uma beleza inexplicável.






Uns dias mais tarde tive que me deslocar a uma cidade que fica situada nos Montes Hermínios e com a qual tenho um grande carinho. Foi lá que tirei o meu curso na UBI (Universidade da Beira Interior), ou seja estou a falar da Covilhã. Para ir de Mira para a Covilhã vou sempre pela estrada das beiras e mais tarde apanho a nacional 230 que passa pela Ponte das Três Entadas e por Vide.É como voltar no tempo e ver as paisagens mais encantadoras. A beleza da serra com as casas de xisto.







Três aldeias separadas por pouco e por muito.
Quando atravessei a serra vi o vazio pintado a sete cores. Sete cores que pintam o céu. Vejam e depois digam-me se não é a uma coisa divina.

O que estará na outra ponta do arco-íris?
 Continuando viagem encontrei umas quedas de água que gravei para a prosperidade.



Até arrepia a espinha só de pensar nestas fotos. É que estava um frio de rachar.
No regresso passámos por casas de xisto, imponentes, belas, orgulhosas,... Elas próprias fazem parte da montanha e a montanha faz parte delas, pode dizer-se que é uma simbiose perfeita.É como se cada pedra já estivesse predistinado a ser uma casa e a casa já tivesse sido feita com o surgimento da montanha.



No mesmo dia que fui e vim da Covilhã ainda dei uma perninha até Aveiro, onde encontrei os moliceiros e os salineiros. Já agora alguém de vocês sabe a diferença entre uma embarcação e a outra?
Os moliceiros eram utilizados para a apanha do moliço que posteriormente era utlizado para adubar as terras. São caracterizados pelas suas proas altivas, impetuosas, explendorosas e orgulhosas.



Os salineiros por sua vez já são mais "toscos", e eram utilizados para transportar o sal até aos bacalhoeiros para conservar o bacalhau que era apanhado nas águas frias do Atlântico Norte.


Barcos estes que hoje em dia são utilizados para dar voltas pela Ria de Aveiro.
Também durante estas duas semanas ocorreu em minha casa uma tradição que já vem de gerações anteriores. Não no mesmo local, mas a mesma tradição. Esta tradição junta mais família do que o próprio Natal. Estou a falar da matança do porco, que ainda ocorre em minha casa. É um ritual que promove não só o alimento para uma temporada, mas também o convívio. Para a matança teve que se fazer uma coisa antes da matança: o ritual de cozer a broa. Sim porque no jantar da matança tem que estar presente broa, é uma obrigação. O porco foi morto de tarde, então de manhã amassei e cozi a broa, sim porque eu tenho gosto em cozinhar. Pois tá claro que para o almoço foi baixada com sardinha assada na telha. Telhas essas que são as mesmas que se utilizam para beber o vinho na festa da telha que eu já referi anteriormente. Para provar que não é mentira aqui fica uma prova:

A sardinha em primeiro plano, pronta a consumir.

Baixada é o nome a que damos à broa comida ainda quente e quando ainda não está totalmente cozida. Fica para o verão um roteiro de como cozer a broa. Sardinhas na telha com baixada é um dos partos mais típicos da minha zona, Mira.
Depois foi só esperar pelos familiares para se proceder à matança. A própria matança também é ritual de entreajuda, todos ajudam no que podem e passa por várias fazes. Primeiro sangra-se o porco e aproveita-se o sangue para fazer as morcelas e o sarrabulho. Depois o porco é esfolado e lavado. Por fim é dependurado e tiram-se as "tripas" para mais tarde se fazerem os enchidos. Já os nossos avós diziam duas coisas:
1ª "Desmancha o teu  porco e verás o teu corpo";
2ª "Para fazer os enchidos tiram-se as tripas de dentro do porco e coloca-se o porco dentro das tripas".
Quando as tripas já estão fora do porco é só separá-las e ir lavá-las. Entretanto enquanto umas pessoas vão lavar as tripas, outras vão tratar da janta. No final todas as pessoas se reunem para comer e passar longas horas à mesa como bons portugueses que somos. Português que é português tem orgulho em estar à mesa nem que seja só para conversar ou até mesmo ralhar.
Este acontecimento passa-se um ou duas vezes por ano em minha casa, porque assim como me vieram ajudar a matar o porco também vamos ajudar a matar o porco dos outros.
São estas pequenas coisas que nos tornam únicos no meio de TANTOS.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Saudades de Portugal

Estava eu descansadinho a dar uma vista de olhos no disco externo, quando de repente encontro umas fotos apelidadas de "Telha 2006". Vieram logo as saudades dos arraiais de Verão, com mais ou menos pessoas, com mais ou menos folia, mas sempre com a barraca de finos a funcionar. Para quem desconhece a palavra fino, é a mesma coisa do que imperial, só que com fino gasta-se menos saliva e tem-se mais tempo útil para beber. Sim porque nestas festas todo o tempo tem que se rentabilizar o tempo ao máximo.
Voltemos ao início, a Festa da Telha é uma festa que se realiza todos os anos na Presa, que é uma pequena aldeia que pertence ao concelho de Mira, distrito de Coimbra. Todos os anos no segundo domingo de agosto é realizada a festa em honra do padroeiro S. Miguel. A festa tem parte religiosa onde é efectuada uma missa e uma procissão e também tem uma parte pagã, onde se incorpora a festa da Telha.
Para ir participar na festa da Telha tem que se ir apetrechado a rigor, encontrar uma telha caleira antiga, levar um recipiente para transporte o sumo vital, e muita vontade de correr, saltar, brincar e beber.
Tudo tem início na segunda-feira,sim porque tudo tem o seu ritual próprio, durante o dia vai-se buscar a Bandeira a casa do mordomo que esteve incutido de a guardar durante um ano inteiro em sua casa, mordomo é a pessoa que organiza a festa e é nomeado pelos seus antecedores.  Pela tarde foras as pessoas começam a juntar-se no recinto da festa, onde um conjunto já está a montar o "aparato" para mais tarde brilhar. Os mordomos que foram nomeados para o ano seguinte têm agora a tarefa da passagem de testemunho, todos se dirigem ao recinto da capela, para aí se proceder à passagem de testemunho de uns mordomos para os outros, de uns filhos da terra para outros filhos da terra.
Depois de iniciado o ritual, nada mais o pode parar, é percorrer as ruas da terra sempre com a bandeira à frente e os gaiteiros a acompanharem.









Como puderam ver pelas fotos, a bandeira segue à frente e atrás vem as pessoas que queiram participar.
Após ter-se percorrido todas as ruas da aldeia a bandeira segue para um destino pré definido, onde estão montadas umas mesas para levar os tremoços e uns barris de vinho para animar a malta e conseguir-se molhar a garganta.







Nas fotos em cima está exactamente a chegada da bandeira ao recinto, e a ordem para se abrirem os pipos de vinho. Regras para o jogo seguinte:
1º Ter recipiente para transportar o vinho até às pessoas;
2º Possuir uma telha caleira;
3º Quem quiser beber vinho tem que colocar o joelho no chão;
4º Queixos na telha e beber;
5º Para parar basta fazer sinal à pessoa que está a deitar o vinho na telha.

Eu já tenho um par para a minha equipa, eu tenho um penico para transporte do vinho, devidamente autorizado pela ASAE, e o meu primo possui a telha, ferramenta toda completa.
Segue-se uma ilustração de como deverá ser feito tal procedimento, neste caso a pares.

Procedimento correcto

Após os tremoços acabarem e o vinho começar a trepar, está na hora de regressar ao arraial, onde o conjunto, grupo musical já está à espera dos foliões para darem um pezinho de dança, se forem como eu dou os dois pés e ainda assim não consigo dançar. Coisas da vida.



E é assim que se tem todo o processo.
Isto com a Guiné-Bissau nada tem a haver, mas como estou cá e Portugal está lá, porque não considerar em terras distantes?