sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Varela

Varela, ora aí está um conceito de praia na Guiné-Bissau continental. É uma zona muito bonita, no extremo norte encostado ao oceano Atlântico. Zona de praia lindíssima que originalmente é povoada por Felupes. Decidi lá ir passar um fim de semana na companhia da alguns amigos e da Fá, no "Chez Helene". Saimos cedo e fomos andando devagarinho e sempre sem pressa, porque quando se está de fim de semana e se vai passear é para passear, por isso mesmo é que demorámos quatro horas e meia para chegar ao destino. Pelo caminho encontrámos uma candonga, é um transporte de passageiros. O que tinha esta candonga de especial? Além de ir cheia de pessoas no seu interior, de levar carga em cima, ainda iam duas pessoas penduradas do lado de fora a conversar normalmente. Uma delas ainda levava três bidões de 20 litros agarrados e estava a segurar-se só com uma mão. Até aqui já pode existir algo de estranho... Talvez um pouquito mas o melhor disto tudo é que iam a uma velocidade entre os 80 e os 90 km/h...

Aqui está a candonga.
Mas aquilo é que eles conversavam normalmente como se não fosse nada com eles. Mas lá continuámos nós a nossa viagem rumo ao destino pré-estabelecido. Parámos em S. Domingos para tomar o pequeno almoço, último troço de alcatrão, porque a partir daqui é só picada, estrada de terra batida com muitos buracos, pode ser uma definição aceitável.
Para fazermos 50 km de picada demorámos 1 hora e 30 minutos, foi dose algo elevada. Pelo caminho encontrámos uma ponte algo duvidosa, atravessámos uma bolanha, pois a estrada tinha demasiados buracos mesmo para um Land Rover.
Encontramos um guarda que nos deu as boas vindas em toda a largura da estrada, já na picada, e ainda por cima tinha dois sentinelas com penas, um de cada lado.



Pelo caminho encontrámos um lugar de repouso...


Quantas histórias já se terão contado debaixo deste abrigo?
Por estes lados e como não existe electricidade pública, as pessoas ainda se reúnem e contam histórias umas mais recentes que outras.
Depois de hora e meia lá chegámos ao nosso destino Varela, mais concretamente ao sítio onde iriamos passar a noite. Aqui fica a informação completa para quem queira vir até Varela e não tenha onde ficar.


Como chegámos tarde, fomos muito rápidamente dar um passeio até à praia. Assim que lá chegámos encontrámos umas apreciadoras de praia muito peculiares. E estavam com um bronze bem amarelinho.




Nós eramos 4, ainda tentei juntar o pessoal para fazer uma pega de caras, mas à última hora desistiram todos. Olhei para cima e vi uma coisa muito curiosa, além das árvores envolventes serem todas eucaliptos, ainda havia uma árvore que tinha sido cortada, mas o tronco ficou com a altura exacta de fazer um banco. Deve ter sido um vigilante qualquer para vigiar a costa mais confortávelmente. A outra teoria é porque alguém queria ter um sítio para se sentar e apreciar a tranquilidade do mar e tentar ver o infinito para além do horizonte...


Imaginem estarem sentados naquele banco que demorou anos a crescer e segundos a ser derrubado para obter uma vista para o mar. Mas temos que admitir, embora a construção do banco não foi a melhor, mas a vista é simplesmente MAGNÍFICA...
Caminhamos pela praia devagar e fomos reparando na erosão que a praia está a sofrer. Confirmem com os vossos olhos aquilo que eu vos acabei de contar.


Também reparámos em algo meio estranho no meio da praia, mas que em tempos idos não estava mesmo no meio. Encontrámos uma fossa de esgotos, que deve ter sido construída debaixo de terra, mas com a força da erosão está no sítio em que está. Olhamos à volta e mal descobrimos uma casa aqui e outra acolá, mas foi mais um marco que encontrámos de uma presença anterior.


Vejam o que a erosão fez e está a fazer a uma praia maravilhosa. Quando regressámos encontrámos um placar amigo do ambiente. Um placar em que está bem visível a preocupação do ecossistema. O placar apela a uma preservação de uma das muitas maravilhas encontradas na Guiné-Bissau.


Fomos ao repasto. De tarde voltamos, desta vez armámos as canas e fomos à aventura, a pescaria não correu nada bem mesmo, um ou outro bagre e umas corvinas que pareciam sardinhas, mas valeu a pena só pelo tempo que se teve em mais um dos paraísos.


Este a pescar não sou eu, mas faz parte da brigada da pesca do PASEG.
Como não podia deixar de ser, lá teve que ser umas fotos onde se via o meu novo cavalo, que me levou mesmo à praia. Quando digo que me levou à praia, levou mesmo, ora vejam...


E este Pôr do Sol...
E assim se passou mais uma tarde em Varela. Como fomos lá de manhã e de tarde, só falta a noite. No final de jantar lá fomos uma vez mais até à praia. Desta vez decidi tirar umas fotos à lua, resultado se conseguirem ver a lua avisem porque a experiência não correu nada, mas mesmo nada bem...


Querem ver que a lua mexeu-se?
No outro dia lá veio a despedida e pois tá claro, como estamos na Guiné nada melhor do que umas boas e grandes ostras, mas mesmo grandes, como um colega meu diz são bifes de ostras.


No final de almoçar foi ir buscar as coisas aos quartos, e irmos de volta ao caminho a Bissau. Antes de sair um último olhar ao quarto e vamos embora, mas sempre com um certo pesar de que no dia seguinte é dia de trabalho...


Claro que no final fica sempre um bocado desarrumado.
Mas no regresso ainda tivemos tempo para apanhar mais um Pôr do Sol sobre a ponte João Landim. Desta vez demorámos 3 horas e meia. Menos um bocado, mas também desta vez só parámos uma vez.


E foi assim que eu trouxe mais uma experiência de mais um lugar estrondoso, e deixei mais um bocadinho de mim por estes lados. Venham até aqui e vejam pelos vossos próprios olhos o que eu tento descrever com algumas fotos e poucas palavras, porque nunca fui muito dado à escrita.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Land Rover - Um Freelander na Guiné-Bissau

Como sabem eu trouxe para a Guiné-Bissau uma moto, a CBF 125, que até hoje não tive problema nenhum. Quer dizer problema só por parte do condutor que de vez em quando decide ir tirar o nível à estrada para ver como está. Ou será para ver a qualidade do alcatrão? Ainda estou para decidir qual das duas será. Também como sabem sou um apaixonado pela pesca e sempre que tenho oportunidade para ir pescar lá vou eu com as canas e com o material todo. Então agora estive num grande problema como ir à pesca de canas de moto? Decidi comprar um carro, neste caso foi um Land Rover, um Freelander. O amigo que encontrou o carro, em muito bom estado, combinou um dia para ir fazer um test drive. O dia ficou certo e a hora mais ou menos. Quando ele passou por minha casa para irmos, adivinhem o que levei na mão, uma cana de pesca pois tá claro. Ele virou-se para mim e disse-me que já tinha ido com pessoas comprar carros mas até agora nunca ninguém tinha levado uma cana de pesca para comprar um carro. São coisas de vida, se eu quero um carro para ir pescar, e não só, tenho que levar uma cana de pesca para o comprar.

Acertei o negócio e no dia combinado lá fui buscá-lo. Vim todo contente a conduzir o carro em Bissau, que nem correu muito mal e estacionei-o. Grande bronca, como nunca tinha trancado um carro com comando, não sei as voltas que lhe dei mas uma coisa foi certa tranquei-o de tal maneira que bloqueou tudo. Lá foi mais uma semana para a oficina. Entretanto lá se mudaram os pneus, que era necessário, e o óleo. Quando tudo estava pronto lá fui buscar novamente o carro. Desta vez antes de o trazer perguntei como funcionava tudo. Impecável em tudo. No sábado seguinte fui até Bula ao Lume (é um mercado que se realiza semanalmente) e fomos almoçar a Cacheu. Em bula tivemos um pequeno precalço, um colega ficou sem o telemóvel e tentaram vender-me um Joaquim Doido, tive pena em não o comprar para o provar, mas ele morria depois com o calor até Cacheu. Quando fomos até Cacheu experimentei o ar condicionado e estava um bocado diferente desde o test-drive.

A descansar debaixo de mangueiras em flor.

Na ponte
Ainda em Cacheu encontrei estes pequenos animais. Eu sou da região da Bairrada, e assim que vi isto adivinhem logo no que eu pensei. É que estavam no ponto exacto, nem mais nem menos.

E eram logo cinco.

Quando cheguei a Bissau, porta traseira não abria. Lá fui uma vez mais à oficina, resultado um fusível queimado. Como o fusível devia ser de 20 amperes e colocaram um de 10 amperes, queimou. Também me queixei do ar condicionado. Um dos responsáveis da oficina chamou o empregado que tinha montado o ar condicionado e fez-lhe logo uma fosqueta no cachaço, é que ele tinha montado a torneira ao contrário. Mas assim que lhe fez a fosqueta começaram a rir do serviço que tinha feito.
Acho que para começar não está nada mau as minhas peripécias com o meu novo cavalo. O resto são histórias da Guiné para um dia mais tarde recordar e rir do sucedido.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cerimónia do "Pano Branco" parte 2

Como tinha prometido aqui vai mais uns pequenos pormenores que acabei de saber hoje. Quando o noivo saiu ao encontro da noiva e lhe deu uma moeda de 500 CFA, ele também recebeu uma moeda dela de 100 CFA. O simbolismo está na quantidade. Resumindo, ambos podem trazer dinheiro para o sustento da família, mas o noivo tem que trazer uma quantidade maior do que a noiva. Algo que é muito interessante.

A senhora das cabaças que entra em primeiro lugar no quarto do noivo, coloca as cabaças entre a parede e a cama. Cabaças essas que vêm cheias de comida, galinha, mancarra (amendoim), arroz e milho. Esses alimentos são comidos no dia a seguir ao casamento e até aí existe um ritual próprio. O noivo e a noiva sentam-se os dois no chão e o noivo começa a desembrulhar os panos que estavam a unir as várias cabaças. Em seguida, faz-se uma competição para ver quem consegue colocar os primeiros alimentos na boca. Se o noivo ganhar, conta a lenda que, todos os filhos que nascerem da união são meninos, se a noiva ganhar, serão raparigas. O ritual é feito com vários apoiantes quer por parte do noivo, quer por parte da noiva. Mais ainda vos digo, existe um árbitro que dá o sinal de partida.

Neste caso em particular o noivo fez uma aldrabice. Quando destapava o comer e antes da partida, tirou rapidamente um mão cheia de comida e comeu, logo ele ganhou.

E é assim que é construída a cultura na Guiné-Bissau, em pequenas coisas que a tornam tão rica e tão única. Por pequenas coisas, que depois se tornam esplenderosas, intrigantes e magníficas. E como eu nunca faço poucas perguntas vou aprendendo cada dia um pouco mais e cada dia me vou enriquecendo.

Cerimónia do "Pano Branco"

Na semana passada fui a uma cerimónia. Cerimónia essa que eu considerei das mais ricas que vi até hoje. A cerimónia que agora vou descrever teve a duração de três dias. Começou na Quarta, Quinta e acabou na Sexta. Esta cerímónia foi efectuada na noite de quinta feira e foi uma animação à Guiné-Bissau. Ela faz parte de um ritual de casamento da etnía Fula e da religião Mulçumana, é como se juntassem as duas partes, a etnia e a religião e surgisse um novo ritual cultural. Foram uns momentos muito bonitos de observar. Infelizmente não consegui tirar fotos, pois eu e a minha nova máquina fotográfica não nos conseguimos entender muito bem. Assim sendo vou contar por palavras escritas o que eu vi e vivi.

A esta cerimónia fui eu e outra colega do PASEG. Chegámos a casa do noivo, foi ele que nos convidou, fomos recebidos de uma forma excepcional, eram abraços e cumprimentos de todas as partes, foi uma alegria ver tanta alegria. Todas as pessoas estavam felicíssimas pelo casamento, e pela união de duas pessoas. Fomos apresentados a um familiar que foi "designado" para nos levar até casa da noiva. Lá fomos nós até casa da noiva. Quando chegámos, havia festa por toda a casa e por todo o lado, eram pessoas dentro e fora de casa e pelos lados. A noiva, uma das personagens principais na cerimónia, estava deitada à porta de casa a ser penteada à luz de lanterna. Para perceberem a importância da noiva nesta cerimónia ficam a saber que o nome da cerimónia se deve a ela. Assim que chegámos, e acabaram de pentear a noiva, ela sentou-se para lhe tirarmos fotografias. Fomos apresentados ao pai da noiva e alguns familiares. Também aqui fomos recebidos de uma forma excepcional e sempre como se fossemos amigos de longa data.

Tirámos fotos dentro e fora de casa e com vários familiares. Foi uma correria para tirar tantas fotos. Depois de tanta correria fomos até à rua. Aí esperámos que a noiva se lavasse para ir ter com o noivo. Isto pensava eu, começou a espera, e espera, e espera que durou cerca de hora e meia.

Passado um certo tempo de espera começou uma grande correria e uma grande animação. Estavam a transportar todos os pertences da noiva de casa dos pais incluindo as prendas que lhe deram de casamento. A nossa prenda que deixámos em casa do noivo foi uma grade de sumo. Passaram baldes, bacias uma arca de madeira e várias cabaças. Passado um bocado comecei a ouvir uma grande discussão, estavam a discutir o dote que a família do noivo deveria pagar à família da noiva para que esta saísse de casa. Grande discussão, grande algazarra, um entrar e sair da discussão e sai mais um e vem mais outra pessoa. Resumindo uma grande animação. Preço do dote acertado, 25000 CFA, e sai a noiva, toda ela vestida com um lençol branco. Estava embrulhada num lençol branco. Sai e entra no carro que lhe era destinado. Nós arrancámos à frente do carro quando de repente verificámos que o carro da noiva não arrancou. Ficámos a saber que tinha sido um familiar da noiva que queria ter o dinheiro do dote na mão antes de ela sair de casa. Mais uma conversa e mais uma discussão e mais uma animação. Passado um bocado e acordo efectuado lá arrancámos.

Quando saímos novamente deviam ser umas dez e meia da noite. Fomos até casa do noivo sempre em festa e as buzinas nunca paravam de tocar. Assim que chegámos a casa do noivo, ele foi recebê-la e deu-lhe uma moeda de 500 CFA, que ainda não sei para que serve, não sei mas vou descobrir. Depois voltou para o quarto que irá ser o quarto do casal. Ele estava com dois conselheiros, para lhe dar conselhos acerca da vida, da vida a dois, da vida partilhada. Entrámos e estivémos a falr novamente com o noivo, ele estava nervoso, bastante nervoso.

A noiva antes de entrar no quarto onde o noivo a esperava, sentou-se na sala onde recebeu novos conselhos de homens grandes, homens mais velhos, que falavam em fula. Além desses homens mais velhos estava um outro homem que traduziu tudo para crioulo. Tal facto deveu-se a sala estar cheia de pessoas que não percebiam a língua fula. Assim, foi como se todos os que estavam presentes servissem de testemunhas aos conselhos que estavam a ser transmitidos. Quando os conselhos acabaram foi a vez da noiva entrar no quarto do noivo, antes de tal acontecer, entrou uma mulher com cabaças na cabeça. Cabaças essas que continham ofertas para os noivos.

Lá fora os festejos continuavam. É uma alegria ver como os guineenses transformam o pouco que têm em muito para dar. Ao longo desta festa, eu fui enebriado pelo estado de espírito que nos envolvia. Posso dizer que fui levado para dentro da cultura fula sem reservas nenhumas. Assim, fiquei com mais um bocadinho da Guiné dentro de mim e se calhar através da minha presença também deixei mais um bocadinho de mim na Guiné. É claro que uma cerimónia destas tem que ter sacrifícios, esta teve vacas e cabras que foram sacrificadas ao longo dos três dias. Senti realmente um empatia muito grande por parte dos guineenses para connosco. Perguntei tudo o que quis e o que me lembrei e sempre, mas mesmo sempre me responderam com a maior das simplicidades. Nunca fui visto nem interpretado com aquela cara do tipo mas o que ele quer e o questá aqui a fazer. Por isso digo e torno a dizer, levo mais um bocadinho da Guiné comigo, mas também deixo um bocadinho de mim na Guiné. É como se fosse uma relação de troca de culturas de conceitos e de sentimentos. É algo de bom sentirmo-nos bem num lugar que nos quer bem...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O JARDIM

Mais uma vez vou escrever acerca da maravilha que está dentro de 4 paredes, do jardim do Liceu Dr. Agostinho Neto. Este ano o jardim sofreu uma pequena mudança, a introdução de uma pequena tecnologia mecânica, um chuveiro de rega vindo directamente de Portugal para a Guiné-Bissau.
Um objecto tão simples e tão comum em Portugal fez maravilhas aqui, as primeiras vezes, os professores e os alunos ficavam sentados a olhar para o chuveiro a trabalhar. E sabem quem é que agradece mais? É o gramão, pois assim leva mais água.



É tão bom ver o jardim a crescer no meio de uma escola e ainda por cima na Guiné-Bissau.
Na sexta feira passada, estive a falar com um professor amigo. ELe esteve a contar-me que no fim de semana anterior tinha estado com obras lá em casa. Até aí nada demais. De repente pergunta-me se eu sabia o que ele tinha comido no fim de semana passado. Eu respondi-lhe que não e então ele continuou a sua história. Quando ele estava nas obras em casa, viu sair não um, mas sim três Joaquins Doidos que ele apanhou rapidamente. Depois ele disse-me com os olhos a brilhar que cozinhou-os e estavam deliciosos. E eu a pensar cá para mim, está bem. Mais tarde meti-me a pensar que até deve ser um bom petisco. Se for um bom petisco vou ter que me zangar com ele por não me ter chamado para provar. Já está assente na para a próxima jantarada a experimentar, mesmo ao lado de jibóia e cão. É como eu digo, desde que não me saia as queixadas nem do cão nem da jibóia, marcha tudo. E mais não digo..... 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Maratona Pela Vida

Ainda no ano passado fui ver mais uma maravilha da natureza. É melhor dizer que fui ver umas centenas de maravilhas da natureza. Melhor ainda, fui ver umas centenas de maravilhas da NATUREZA, assim está melhor.
Em Novembro último, fui até João Vieira. Objectivo principal era ver o nascimento de tartarugas verdes na ilha do Poilão. Poilão é uma pequena ilha, perto de João Vieira, onde afluem centenas de tartarugas verdes para a desova. Passados 60 dias eclodem dos ovos tartarugas que mais tarde viram desovar nas mesmas praias de onde eclodiram.
João Vieira é uma ilha que se pode circundar a pé em 4 horas. 4 horas de caminhada pela areia, segundo dizem, digamos que fui dar uma pequena volta de cerca de 40 minutos de 42 biqueira larga. Pelo caminho fui encontrando algo diferente, mas que me chamou a atenção. São pequenas coisas que se calhar passam despercebidos mas que a meu ver têm alguma magia, algum sentido e algum mistério.


De onde terá vindo aquele ramo? Terá viajado quilómetros, metros ou centímetros? É algo que me entrigou e e chamou a atenção.


E este imponente cepo? Conseguem imaginar qual seria esta árvore? Pensem nas gerações de pássaros que pousaram nos seus ramos. Quantos destes eram para descansar ou pura e simplesmente estavam a apreciar a vista? Quanto tempo terá viajado? Melhor que histórias terá para contar? Quantas pessoas passaram por ela e repararam? E quantas não repararam? Será mais um cepo ou será um cepo? Parece um velho guardião a descansar depois de uma vida de trabalho nas intempéries. Mas certamente que as histórias deste velho guardião dariam para escrever uns quantos blog's.




E estes dois guardiões? Teriam partilhado algumas dessas histórias?
Depois vem aquele que tem ar de que foi um imponente guardião. Se calhar foi o "capitão" de todos os outros.


Observem as suas curvas e as suas linhas. Quantas batalhas terá travado? Como tudo terá acontecido? Ou será apenas uma coroa de um rei? Quantos abrigos terá proporcionado? Quantas folhas terá tido? Imaginem se as árvores falassem? O que falariam? O que terão ouvido? E no entanto lá estão elas para nos dar abrigo, comida e até oxigénio.
No meio da minha caminhada também encontrei algo interessante no meio desses guardiões. e também algo verde, claro que uns guardiões vão mas outros ficam.





Algo ainda mais estranho é que acho que encontrei, a meu ver, uma espécie de ervilha brava. O que eu achei muito estranho, mas como disse penso que encrontrei, mas o melhor é deixar a prova que consegui retirar.



Depois digam se é ou não.
Como referi anteriormente, fomos ver a ilha de Poilão para ver uma maratona da vida. O eclodir das tartarugas. Algo maravilhoso e simplesmente belo.
Quando desembarquei na ilha reparei neste pequeno objecto.


O que será? Também não sei ao certo, mas tenho as minhas conclusões que guardarei para mim e espero pelas vossas. A seguir foi como entrar num planeta diferente, talvez Marte ou coisa parecida.



Não é que eu tenha estado alguma vez em Marte, mas o ângulo da foto assim quase que o permite. Assim que o sol se pôs começou a luta, a corrida pela qual todas tinham que lutar. Foi magia, magia pura em como de um momento para o outro começaram a "brotar" tartarugas do chão. Vê-las a deslocarem-se até à água era como acompanhar algo misterioso e divino. Algo que só a nós foi proporcionado naquele momento. Foi deslumbrante. E como começou também acabou. Assim do nada parou. Foi como se todas tivessem um relógio, o despertador tocou e correram para o mar, o despertador tocou novamente e as restantes têm que esperar pela sua vez sob o solo arenoso. Eu não sei muito de tartarugas marinhas, mas mesmo assim sei que elas têm em comum com os crocodilos, o facto de serem macho ou fêmea tudo é determinado pela temperatura a que se encontram. Para não estar a interromper nada neste momento único que tive o prazer de observar deixo umas fotos de amador.






E agora o percurso de algumas.






E foi assim que eu tive uma experiência do outro mundo, literalmente. Foi uma coisa FABULÁSTICA da qual tive o prazer e a honra de poder observar. E aqui fica mais um bocadinho da Guiné segundo o meu ponto de vista. A Guiné-Bissau tem um conjunto de maravilhas da natureza para observar e maravilharmo-nos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Divagações

Divagar... O que será mesmo divagar? Será navegar por pensamentos nunca antes alcançados? Isto quer dizer que divagar leva a navegar. Navegar, mar, mar pode ser ilhas. Ilhas... Ora aí está uma bela imagem e como estou presentemente na Guiné-Bissau, obviamente que as ilhas vão implicar o Arquipélago dos Bijagós. Se vou para as ilhas levo a cana, melhor as canas e com as canas vem um dos mais espectaculares e emocionantes momentos, o de estar sentado à espera que o peixe morda o isco. Sim, porque como sabemos pela boca morre o peixe. Será mesmo assim? Eu já pesquei com anzol e alguns peixes não morreram pela boca, mas sim ou pela barriga, ou pelas barbatanas, mas não pela boca.
Voltando pela divagação, será que eu acabei de divagar? As nossas divagações levam-nos a algum sítio? Será que alguém pode morrer com o peso das divagações? É que se assim for ninguém mais divaga.
No meio das minhas divagações encontrei algumas incoerências.
Tomemos o caso dos Vampiros. Todos nós dizemos que eles são imortais. Serão mesmo? É que se assim for como é que os destroem nos filmes, nas séries, ... Porque se os matam eles são mortais. Também temos o caso dos lobisomens. Será que alguém ou algo é mesmo imortal? Eu penso que sim, pode não ser propriamente em carne e osso, mas as suas ideologias podem ficar escritas para toda a eternidade. Mas isto é válido dizer para toda a eternidade? Será que a eternidade tem fim? É que se tem deixa de ser eternidade e passa a ser para um certo tempo. É a mesma coisa do que estar a comparar conjuntos infinitos. Ambos conjuntos têm um número infinito de elementos, mas no entanto existem conjuntos infinitos contidos dentro de outros conjuntos infinitos e não podemos dizer qual é maior do que outro.
E quando nós dizemos que qualquer coisa vem dos nossos avós. Como referi anteriormente, que o conhecimento do trabalho nas terras vem dos nossos AVÓS. Será que vem realmente dos nossos avós ou dos nossos antepassados? Eu escrevi com o intuito dos nossos antepassados. Eu admiro muito o conhecimento empírico, melhor admiro o ritual da passagem desses conhecimentos, que é feito com uma certa mestria, pelas "mãos" de alguém que por sua vez aprendeu com outra pessoa. É algo incrível que se demonstra nesse ritual, algo que leva de certa forma à aposentação. Para quem está a transmitir sente que o seu conhecimento não ficou perdido e quem está a aprender sente por sua vez que alguém está a querer dizer-lhe algo, a conversar. É por isso que eu acho que este tipo de rituais são dos mais ricos que podemos encontrar e que eu acho que cada vez mais se está a perder. Ou estará pura e simplesmente a modificar-se? Uma coisa que eu aprecio na Guiné é o facto de à beira da estrada verem-se bancos improvisados, onde as pessoas se reunem, o culto do contador de histórias ainda acontece por aqui. Em minha casa, em Portugal, quando estamos todos em casa a hora da refeição é uma hora onde toda a gente se senta à mesa. É uma hora de conversa, de discussão e pois tá claro de boa comida. Mas é claro que a televisão se encontra sempre ligada o que já leva a menos uma conversa. Será que leva mesmo? Se surgir alguma notícia algo intrigante, pode originar uma discussão segundo vários pontos de vista.
Costuma-se dizer que gostos não se discutem. Eu tenho uma opinião totalmente oposta. A meu ver o que se discute são sempre os gostos. Tentamos usar sempre argumentos válidos que nos levem a que a outra pessoa ou pessoas mudem para os nossos gostos. Acho que os gostos têm que se aceitar, mas nunca se pode dizer que gostos não se discutem.
E foi assim que após, desta vez nada tem a ver com as viagens ou memórias, este pequeno texto eu disse algo. SERÁ QUE DISSE MESMO?

Como anteriormente falei de pesca aqui fica uma foto de um tubarão guitarra que pesquei. Devia ter certa de metro e meio.